O
Islamismo é a religião com o maior número de adeptos na
África, seguido do
Cristianismo, de acordo com a
World Book Encyclopedia.
Apesar disso, o número exato de pessoas que praticam esta religião é
desconhecido, pois as pesquisas demográficas no continente são
incompletas. Segundo a
Encyclopedia Britannica, a África é constituída por 45% de muçulmanos, 40% de cristãos e menos de 15% de
ateus, ou que seguem cultos africanos.
O Islã foi introduzido no continente africano pouco depois de seu
surgimento, e diversos reinos islâmicos se estabeleceram no continente
durante os períodos seguintes, continuando seu rápido crescimento
através do
século XX e no
século XXI, com uma taxa de crescimento, por algumas estimativas, que é duas vezes mais rápido do Cristianismo na África
1 O islamismo na África está aumentando paralelamente aos falantes das
línguas bantu, que costumam seguir o Islão na
África central e na
oriental.
[carece de fontes]
As divergências entre as religiões islâmica e cristã têm sido a causa
de diversos conflitos, sobretudo em países onde não há maioria absoluta
por parte de nenhuma das religiões, como na
Tanzânia,
Nigéria e
Costa do Marfim.
Norte da África
A expansão muçulmana no norte da África pode ser datada do
século VII, quando chegaram ao
Egito muçulmanos da
Península Arábica, a partir da expansão do
Califado Omíada. Estes árabes muçulmanos tiveram que enfrentar a resistência dos exércitos
bizantinos, bem como dos povos
berberes. No
século X, a busca por
ouro levou o avanço egípcio à região da
Líbia,
estendendo a influência islâmica e a cultura árabe para aquelas partes.
A expansão da influência muçulmana teve como consequência o surgimento
de novos
califados. Em algumas regiões, simultaneamente à adoção da religião islâmica, a presença
árabe se tornou mais marcante, pois foram adotados igualmente outros aspectos da cultura árabe, como o
idioma. Com o passar do tempo, estas regiões adquiriram exércitos de
escravos e fortaleceram seus poderes. Assim, foram se tornando áreas autônomas.
Por volta do século VII, o Egito invadiu a
Núbia
- um reino cristão - e, três séculos depois exigiu a conversão do reino
ao Islã. O processo de conversão do reino da Núbia foi marcado por
enfrentamento militar e diversos conflitos.
Entretanto, ao mesmo tempo que o islamismo foi se expandido por conta
das conquistas árabes, sabe-se que esta religião não permaneceu a
mesma. O Islã sofreu diferentes modificações durante a conversão das
diversas populações africanas. Este processo é conhecido como a
"africanização" do Islã, em que, ao mesmo tempo em que os africanos se
convertiam, levavam para o Islã traços de suas culturas originais
2 .
África ocidental
A islamização da África ocidental não se deu a partir de conquistas
territoriais. O fator principal da expansão muçulmana nesta região foi o
comércio transaariano,
que envolvia a África ocidental e o norte do continente. O processo
ocorreu após a consolidação da conquista árabe ao norte, iniciando-se a
partir do século IX. Esse comércio envolvia a captura de escravos que
eram levados ao norte do continente. Esse tráfico de escravos teve
inicio com as
guerras santas, incluídas no processo de expansão do islamismo para o Norte da África e para a Europa
mediterrânica.
3 .
Séculos XVIII e XIX
Começa no
século XVIII umas nova fase da islamização africana
4 . A demanda por escravos gerada pelo
comércio transatlântico de escravos
resultou no surgimento de novos Estados no litoral africano e de elites
comerciantes muçulmanas. Parte dos escravos vendidos eram também
muçulmanos, que podiam ser considerados como "impuros" devido à
coexistência de rituais
politeístas com práticas islâmicas. Nesta época, havia uma forte relação entre o comércio e a religião, o que propiciou a expansão desta.
No
século XIX, o
colonialismo principalmente
francês e
britânico
concorreu com os Estados islâmicos independentes. Estes Estados não
reagiram de maneira uniforme, havendo variações de região para região.
Na luta contra a influência europeia, havia a presença de muçulmanos e
de elites ocidentalizadas em consequência da própria colonização
5 .
Costa oriental
A
Costa oriental por muito tempo foi parte de rotas comerciais que ligavam o
Oriente Médio e o norte da África até o
Extremo Oriente.
As trocas comerciais favoreciam o contato com diferentes ideias e a
circulação de pessoas trouxe o islamismo para esta região da África. O
avanço da islamização teve como consequência o surgimento de algumas
populações muçulmanas na costa oriental. No século XI fundou-se uma
dinastia islâmica em Quíloa, na costa da atual
Tanzânia6 .
Mesquita de Abuja, na Nigéria
Charia
A lei
Charia
influencia fortemente o código legal na maioria dos países islâmicos,
mas a extensão do seu impacto varia muito. Na África, a maioria dos
países limitam o uso de Charia às leis que regem o
estado civil do indivíduo para questões como
casamento,
divórcio,
herança e custódia dos filhos. Com as exceções de
Nigéria e da
Somália e da recente separação do
Sudão, o
secularismo
não parece enfrentar qualquer ameaça grave na África, apesar de que o
novo renascimento islâmico tem tido um grande impacto sobre segmentos
muçulmanos da população, como é o caso dos países africanos da
primavera árabe, o Egito, a
Tunísia e a Líbia. A coabitação ou convivência entre muçulmanos e não-muçulmanos continua a ser, em sua maior parte, pacífica.
7
A
Nigéria é o lar da maior população muçulmana da
África Subsariana. Em
1999, no norte da Nigéria estados adotaram a
Charia para o
código penal, mas as punições têm sido raras. Na verdade, dezenas de mulheres condenadas por
adultério e condenadas ao
apedrejamento até a morte foram posteriormente libertadas. O
Egito, um dos maiores países muçulmanos na África, afirma a Charia como principal fonte de sua legislação, mas seus códigos penal e
civil são baseados em grande parte no direito francês.
8
Ramos do islamismo na África
Os
muçulmanos na África em geral pertencem à denominação
sunita, embora haja também um número significativo de seguidores
xiitas e
Ahmadiyya. Além disso, o
Sufismo, a dimensão
mística do Islã, também tem uma presença. A
maddhab Malik é a escola dominante de jurisprudência entre a maioria das comunidades sunitas do continente, enquanto a
maddhab Shafi'i é prevalente no
Chifre da África, Egito oriental, e da Costa
Suaíli. O
fiqh Hanafi também é seguido no oeste do Egito.
Sufismo
O
Sufismo, que incide sobre os elementos místicos do Islã, tem muitas ordens, bem como seguidores na
África Ocidental e
Sudão, e, assim ordens sufis consideradas como céticas pelos ramos mais doutrinariamente rigorosos do Islã no
Oriente Médio. A maioria dos teus cus tb das ordens na África Ocidental enfatizam o papel de um guia espiritual
Marabuto, ou possuidor de poderes sobrenaturais, considerada como uma africanização do Islã. No
Senegal e na
Gâmbia, sufis marabutistas afirmam ter vários milhões de adeptos e têm atraído críticas por sua veneração ao fundador do Marabutismo,
Amadou Bamba. O
Tijani é a ordem sufi mais popular na África Ocidental, com um grande número de seguidores na
Mauritânia,
Mali,
Níger,
Senegal e
Gâmbia.
9
Salafismo
Há relativamente pouco tempo, o
salafismo começou a se espalhar na África, como resultado da presença de muitas Organizações Não-Governamentais (
ONGs)
muçulmanas, como a muçulmana Liga Mundial, a Assembléia Mundial da
Juventude Islâmica, a Federação de Mab e escolas islâmicas. Estas
organizações salafistas, muitas vezes com base na
Arábia Saudita, promovem o
conservadorismo, e consideram o Islã sufi como "heterodoxo" e contrário ao Islã tradicional.
10 11 Essas ONGs construíram
mesquitas
e centros islâmicos na África, e muitos são formadas por muçulmanos
africanos puritanos, muitas vezes treinados no Oriente Médio. Bolsas de
estudo também são oferecidos para ampliar o salafismo.
12
População Muçulmana
Isão na África
| Região |
População total |
Muçulmanos |
% Muçulmanos |
% do Total de Muçulmanos na África |
| África Central |
83.121.055 |
12.6 milhões |
15.1% |
3.1% |
| Leste da África |
193.741.900 |
66.4 milhões |
34.3% |
16.5% |
| Norte da África |
202.151.323 |
180 milhões |
89.1% |
44.8% |
| Sul da África |
137.092.019 |
8.9 milhões |
6.5% |
2.2% |
| África Oriental |
268.997.245 |
134.0 milhões |
49.8% |
33.3% |
| Total |
885.103.542 |
402.0 milhões |
44.86% |
|
População por país13